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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sobre o Vitiligo


Como é que, quando Michael explicou o que estava acontecendo com seu corpo,
alguns se recusaram a acreditar nele?

Suponha que você tenha trabalhado duro, dirigido a si mesmo para chegar ao auge do sucesso e alcançado um pouco de fama, por causa de sua contribuição a uma indústria carregada de talentos, além de uma feroz concorrência. 

Suponha que você soubesse que essa indústria exige que você sempre invente algo novo e fresco, a fim de manter o interesse das pessoas, após o lançamento do seu trabalho. Suponha que para manter-se contemporâneo, você tenha que reinventar a si mesmo com freqüência, ao longo do caminho. 
Michael escondeu a condição (de sua pele) por um longo tempo, tentando até mesmo escondê-la de sua maquiadora. Ele não quis revelar publicamente a sua luta mais particular. No entanto, o vitiligo foi se tornando mais e mais visível, as mudanças em seu tom de pele eram mais e mais evidentes. No entanto, Michael, sempre perfeccionista, não queria decepcionar o seu público. Eventualmente, não havia escolha, a não ser revelar sua condição. 

Suponha que você tenha atingido um nível de fama, onde o seu nome e produto são instantaneamente reconhecidos ao redor do mundo. Se você ama o seu trabalho e ama o seu público e se a criação, para você, é como respirar, você não pode viver sem isso. E se a sua sobrevivência depende de sua voz, seu corpo, sua aparência, e seu apelo global? 

E se a indústria escolhida é monitorada e controlada por um meio público - a imprensa - com o poder de lhe ascender ou lhe derrubar, você e ao seu futuro? E se forem poucos, na indústria da mídia, que sejam amáveis e lhe apoiem, aonde mais se interessem ​​apenas em estórias suculentas, com detalhes de escândalos, fraquezas e uma insinuação de fracasso? E se eles estão apenas esperando que você deslize? E se eles estão perpetuamente apenas prestes a atacar? 

E, se apesar de toda esta pressão de estar sempre presente e relevante, o seu corpo, a máquina que impulsiona o seu trabalho, começar a ter alguns problemas sérios? E se o seu corpo começa a te trair? E se toda a sua razão de ser, de repente, entrar em questão? E se o futuro é incerto? E se um público volúvel com um curto período de atenção e memória ainda menor, começa a perder o interesse, porque você não tem mais uma boa aparência? Quando sua vida está no centro das atenções? O que você faz, então? 

Será que você tenta esconder suas imperfeições? É claro. Todos nós fazemos isso. Nós usamos meias nas pernas; colocamos silicone nos seios; tomamos Viagra; usamos cremes e hormônios, sabonetes e perfumes; colocamos permanentes em nosso cabelo; aumentamos o volume de nossas roupas íntimas; usamos saltos altos, e vamos à academia de ginástica; compramos as últimas modas, colocamos tatuagens ou piercings; apliques no comprimento do cabelo; buscamos pedicures e/ou unhas postiças; tomamos vitaminas; fazemos uma dieta, fazemos bronzeamento artificial e mil outras coisas, para ficarmos atraentes e relevantes. 

Então, quando Michael Jackson foi diagnosticado com vitiligo -uma doença que transforma a pele - por volta de 1983, por que foi tão difícil de entender (a doença) como uma ameaça que teria sido para alguém que ganhava a vida no palco? Como é que, quando ele explicou o que estava acontecendo com seu corpo, alguns se recusaram a acreditar nele? 

Uma doença que estraga o seu rosto e o seu corpo deve ser muito ameaçadora para alguém que ganha a sua vida no palco. Deve ter levantado questões de autoestima enormes para Michael, pois ele tinha acne, quando adolescente. Deve ter havido um sentimento enorme de traição de seu próprio corpo, seu próprio sistema imunológico se voltando contra você. Você deve questionar e responsabilizar-se inicialmente. Você deve sentir uma sensação de vergonha e a vontade de esconder o seu corpo manchado. 

Poderia ter sido assustador e desanimador, como o primeiro artista negro a fazer tantas coisas pioneiras, de repente corre o risco de perder a sua identidade racial? Ele estaria se sentindo ferido, ao ser acusado de trair e abandonar deliberadamente a sua raça? Como não poderia o público entender o quão doloroso deve ter sido para um homem que cresceu em uma família famosa negra? 

Um homem que cresceu com James Brown e que, por toda uma geração de crianças, tornou ok ser negro, ensinando-os a cantar: "Eu sou negro e tenho orgulho". Quando o câncer surpreende alguém, nós não culpamos a vítima. Nós não repreendemos as alterações do seu corpo. Nós não condenamos a quimioterapia, que é um tratamento necessário para controlar a doença. 

Alguém pergunta para uma doença o que faz com que o corpo se transforme, tentando tornar alguém irreconhecível? Alguém deseja que uma doença progrida e engula todo o ser de alguém, uma pessoa para quem um dia na praia seja impossível, que esteja impedido de brincar à luz do sol com os seus filhos porque é perigoso, que faz com que você viva sua vida sob guarda-chuvas, porque a sua condição se agrava sem eles? 


Como é que esta pessoa pode ser acusada de "mentirosa", de estar abandonando a sua própria origem étnica? Como alguém pode ser rotulado de freak, quando as mudanças em seu corpo são involuntárias e precisam ser ocultas, a fim de manter a pessoa pública e o status de astro que o mundo espera dele? Como não se tornar uma pessoa amarga, irritada, menos do que humana? Como é que continua a performar no centro do palco, sabendo que a maquiagem esconde um segredo e o temor de que, se revelado, poderia afastar até os fãs mais leais?

Vitiligo é uma doença que faz com que a pessoa perca a pigmentação da pele. Manchas brancas começam a aparecer e como a doença progride, a pele mais e mais assume um tom pastoso. Michael tinha o vitiligo universal, a forma mais grave, que afeta mais de 80% do corpo. A doença apaga a pigmentação, tornando a pele, eventualmente, translúcida.

Nos estágios iniciais, a pele fica manchada porque o corpo começa a atacar suas próprias células de melanócitos, que produzem a cor da pele. Conforme a doença progride, mais e mais o corpo se torna branco. O que resta então é o tratamento de apoio. No início, uma pessoa negra poderia usar maquiagem escura para cobrir as áreas despigmentadas. Mas, como cada vez mais aumentam as áreas afetadas, este recurso torna-se impraticável. Descolorir o restante da pele torna-se uma opção viável. 

A luz solar agrava a condição e acelera a progressão do vitiligo. O uso de protetor solar torna-se imperativo. Passar o tempo na praia ou na luz solar direta pode causar problemas graves. Viver sob um guarda-chuva para bloquear o sol, pelo menos, retarda a doença e prevenir problemas de pele ou reações à luz solar.

Parece que o guarda-chuva criava mistério, acreditava-se que o motivo do seu uso era além de protegê-lo do sol. Uma metáfora para o mistério? Oh sim, e muito eficaz para isso, chamou a atenção. E como Michael amava ganhar atenção, porque sua carreira, é claro, dependia dela. Mas como é que se tornou uma metáfora não somente para o mistério, mas para o obscuro? 

Como Michael assumiu o risco, quando ele saiu de sua intimidade e deu uma entrevista pública, revelando, com grande trepidação, que havia algo de errado com seu corpo? Que seu sistema imunológico não estava funcionando corretamente, que ele estava lutando com as questões de confiança de seu próprio corpo, que parecia tê-lo traído? 

Que sua identidade, sua aparência e tudo o que ele representa criou para ele uma crise existencial, porque uma doença involuntária se instalou em seu corpo - um corpo que é importante para a presença de palco, para o desempenho, para a identidade, por status, seu trabalho e sua vida? Como é que ele então conciliou, revelando o mais íntimo dos segredos de sua vida e, então, ser chamado de mentiroso?

O que é mais íntimo do que o próprio corpo? O que é mais preciosamente guardado? O que é mais ameaçador para uma estrela no palco, do que as mudanças involuntárias na saúde e na aparência? Será que temos chamado algum paciente com câncer de mentiroso? O teríamos condenado por buscar tratamento para uma doença fatal? Michael merecia a nossa compaixão, e não ridículo. 

Onde estava a compreensão para este homem que estava lidando com uma doença que ameaçava sua própria vida, como ele sabia disso e, como também sabíamos? Onde estava a mensagem: "você ainda é amado?" Ainda é relevante? Ainda humano? Ainda assim, era esperado de Michael que ele continuasse a pregar o Amor? O Michael que temos feito maior que a vida? O único que nos deslumbra? O único que nós esperamos que seja perfeito aos nossos olhos? Onde estava nossa humanidade? Nossa compaixão?


by Reverend B. Kaufmann (escritora, educadora e ativista) 


Fonte:
Reverend B. Kaufmann//www.innermichael.com/título do txt original: 'becoming white 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia 25 de Junho, dia mundial do vitiligo - apoiem essa campanha!


25 De junho é uma data importante no calendário do vitiligo porque marca a data de passagem do pop star Michael Jackson, um sofredor de vitiligo de longa data.
Lee Thomas tem Vitiligo (viii) e diariamente exerce a missão de aumentar a consciência das pessoas ao redor do mundo que sofrem com a doença. 
Ele está lutando com pedido à Organização das Nações Unidas, para que o dia 25 de junho seja oficializado o Dia Mundial do Vitiligo. 
São necessárias 500.000 assinaturas. 
Vamos nos unir e fazer parte dessa luta. 
Apoio a petição para designar o dia 25 de junho como o dia mundial de Vitiligo e salvar milhões de pessoas em todo o mundo da perseguição e do isolamento social.


http://25june.org/ (nesse link você pode assinar a petição!)





Lee Thomas tem Vitiligo (viii) e diariamente exerce a missão de aumentar a consciência das pessoas ao redor do mundo que vivem com a doença. Ele mesmo produziu um documentário premiado sobre sua experiência.
Lee também publicou um livro intitulado, “Turning White: A Memoir of Change”. Você pode comprar o livro na Amazon, clicando neste link: http://www.amazon.com. 

No programa “The Nine” Fox 2′s, Lee, Kam e Jason falaram sobre a história de Michael Jackson. O artista mais famoso do mundo sofreu de uma doença chamada Vitiligo (viii). E mesmo depois de sua morte, ainda é uma das coisas mais mal compreendidas sobre o Rei do Pop. 

Vitiligo é uma doença de pele que rouba do corpo o pigmento. É a razão pela qual o homem mais famoso do planeta passou de negro para branco. E Michael Jackson não estava sozinho. Existe bem mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem com esta doença.

Ela afeta todas as nacionalidades, idades e sexos, em qualquer classe social. Pode-se encontrá-la nas escolas, hospitais, na televisão, filmes, arenas esportivas e igrejas, sendo que muitos encontraram a reclusão e o isolamento imposto pela sociedade. 

Vitiligo (viii) é uma doença caracterizada pela despigmentação da pele, devido à destruição ou mau funcionamento dos melanócitos, células que produzem melanina. Ela está presente em todo o mundo em diferentes países, entre menos de 0,1% a mais de 8% da população em geral (1% nos Estados Unidos e na Europa), enquanto que em muitos casos não são relatados, devido à prática corrente da dermatologia. 

Embora a doença destrua as vidas de milhões de pessoas desde o primeiro registro da doença no mundo, ainda não há cura à vista. Poucas doenças dão origem a tanto medo e ódio como o Vitiligo (viii), especialmente em pessoas de pele escura. 

A doença não é contagiosa e nem tem ameaça de risco de vida, mas os pacientes muitas vezes não recebem o apoio do sistema de saúde nacional ou das companhias de seguros de qualquer natureza. 

O Dia Mundial do Vitiligo é uma iniciativa pública que visa à conscientização global sobre Vitiligo (viii). Seu objetivo ambicioso é levantar 500.000 assinaturas para que a Organização das Nações Unidas reconheça esta doença negligenciada e debilitante. 

A escolha deste dia especial, é um memória ao artista mais popular do mundo Michael Jackson, que sofria de Vitiligo (viii) desde 1986 até sua morte, ocorrida em 25 de junho de 2009. 

Lee Thomas tentou esconder o vitiligo. 


Lee Thomas, de 40 anos, é um apresentador de TV de uma afiliada local da Fox Broadcasting Company, nos Estados Unidos. O jornalista vem causando uma grande polêmica entre a comunidade negra americano. Thomas possui vitiligo, uma doença em que as células de pigmentação da pele são destruídas. Manchas brancas aparecem em diferentes partes do corpo, tecidos da boca, nariz e na retina. 

“Eu sou um homem negro virando branco na televisão e as pessoas podem ver isso”, declara o âncora e repórter de entretenimento. “Se você me assistir ao longo dos anos vai perceber que minhas mãos mudaram completamente do negro para o branco”, diz. 

“Não existe uma causa. Não existe uma cura, é tudo muito aleatório”, declara Thomas. “Eu posso ficar totalmente branco ou apenas parcialmente”. 

Lee agora precisa usar uma maquiagem preta para apresentar o programa jornalístico e há uma grande polêmica em torno de algumas de suas declarações. O jornalista já disse que se a doença continuar, vai ter que maquiar de branco, e por isso, foi alvo de reclamações de militantes do movimento negro. O mais curioso é que Thomas manteve segredo da doença de amigos e parentes por mais de 15 anos. 

Atualmente, o âncora Lee Thomas conversa abertamente sobre o vitiligo e como a doença afetou sua vida e carreira. Ele até mesmo escreveu um livro sobre essa experiência chamado Turning White: a Memoir of Change (Ficando Branco: Uma Memória de Mudança, em tradução literal). 

Entretanto, até novembro de 2005, Thomas escondia a doença, mas percebeu que ela estava ficando cada vez mais intensa. E o segredo foi descoberto durante uma reportagem, ao vivo, quando ele não conseguiu mais escondê-lo de uma criançada pré-escola. As mãos de duas tonalidades deixaram a garota assustada e ela começou a chorar. 

“Eu pensei que minha carreira estivesse acabada”, disse Thomas, que já foi ganhador do Emmy e que geralmente entrevista celebridades como Will Smith, Tom Cruise e Halle Berry. Ele se preparou para conversar com sua diretora do jornal e sair da televisão. 

Hoje, ele já superou o trauma inicial e usa uma combinação de cremes e maquiagens para cobrir o crescimento das manchas em sua pele, rosto, mãos e braços. Espectadores, colegas de trabalho e até mesmo seus parceiros no jogo de basquete nunca tinham percebido a desordem.







O vitiligo 
Poucas pessoas, exceto os médicos e aquelas que já tiveram a doença, já tinham ouvido o termo “vitiligo” até que Michael Jackson revelou no início da década de 1990 que a doença estava por trás da sua mudança de pele negra para branca:









(perna de Michael)



Aproximadamente 65 milhões de pessoas no mundo têm este tipo de desordem, sendo que 2 milhões vivem nos Estados Unidos. Não é algo fatal, mas os especialistas dizem que o vitiligo rouba a autoconfiança das pessoas, faz com que elas sejam desagradavelmente encaradas e ainda leva algumas a uma reclusão forçada. 

Compartilhe essa notícia com seus amigos e assine a petição. 

http://25june.org/ (nesse link você pode assinar a petição!) 
(Copie e cole esse link na barra de endereço
para abrir a página da petição) 

Vamos fazer a nossa parte! 



Fonte:
http://www.myfoxdetroit.com/story/18871413/world-vitiligo-day-2012-bonds-michael-jackson-with-fox-2s-lee-thomas 

http://newspressrelease.wordpress.com/2012/07/17/dia-mundial-do-vitiligo-em-homenagem-a-michael-jackson/#more-51308 

http://www.revistaafro.com.br/portal/gente/lee-thomas-tentou-esconder-o-vitiligo/ 

http://michael-iloveyoumore.blogspot.com.br/ 

http://cantinhodomj.blogspot.com/

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Será que o sonho americano morreu com Michael Jackson?


O público americano deve exigir jornalismo honesto,
por Forbes Everett Landis


O que diz o nosso silêncio sobre os ataques a um dos realizadores mais visíveis do sonho americano? Não estamos perdendo o futuro dos nossos filhos nas mãos dos ameaçadores? Não é tempo de falarmos sobre os danos que o jornalismo oportunista está fazendo à nossa cultura?

No ano passado, a notícia da morte prematura do pop-superstar Michael Jackson chocou o mundo. Como eu sou um fã de música clássica, não um conhecedor de música pop ou qualquer de suas estrelas, a morte de Jackson não evocou imediatamente qualquer emoção particular em mim. Eu vou deixar isso para lá.

Mas os dias foram passando, e como eu estava envolvido em mais e mais reportagens sobre a morte de Michael Jackson, eu comecei a me sentir cada vez mais desconfortável. Um homem havia falecido: Que necessidade havia para a mídia tão ansiosamente mostrar imagens humilhantes de como Jackson teria sido encontrado em seu leito de morte? Fui solicitado a examinar o caso mais profundamente. 

Após mais de um ano, embora eu não seja agora nem nunca serei um fã de Michael Jackson, e apesar da minha visão por vezes cética das observações frenéticas freqüentemente feitas por seguidores endurecidos de Jackson, eu sinto necessidade de dizer o seguinte:

Para manter o sonho americano vivo para os nossos filhos, nós devemos deixar de abusar dos nossos espíritos talentosos e criativos da inveja e da incompreensão.

Jackson teve que lidar com a mídia condenando-o como estranho, esquisito, e até mesmo rotulando-o como uma aberração, figurativamente e literalmente. 

Minha opinião sobre isso é clara: Embora às vezes, aos olhos subjetivos, Jackson pudesse parecer “diferente”, metade dessa excentricidade foi devido ao fato de que ele nasceu para ser um artista inevitavelmente diferente dos outros por causa da sua natureza imaginativa e criativa, e metade porque ele foi forçado a ser tão pouco convencional por pressão da mídia. Ser diferente dos outros não equivale a ser prejudicial aos outros. Enquanto não se violam os direitos humanos dos outros, tem-se o direito de ser ele ou ela mesma. Em uma sociedade que prioriza os direitos humanos e liberdade, eu não encontro justificativa para ataques a pessoas que são distinguidas como “diferentes”. Esses tipos de ataques são especialmente sórdidos quando envolvem a disseminação de boatos falsos para obter ganhos financeiros. Após a absolvição de Jackson nas acusações relacionadas à alegada criança em 2005, vários jornalistas, como Aphrodite Jones, avançou a confessar que a maioria dos meios de comunicação em atendimento, intencionalmente colocou a objetividade de lado na cobertura do caso de Michael Jackson ao fragmentar os fatos divulgados no tribunal, informando apenas informações contra Jackson.

A raça humana muito freqüentemente tem devido o seu progresso científico ou artístico para o “estranho” e o “excêntrico”. Vamos considerar, por exemplo, Galileu Galilei, que foi acusado de discutir abertamente a teoria de Copérnico, um conceito visto como pecaminoso e o condenou firmemente naquela época; mais tarde, é claro, essa teoria se tornou o padrão aceito pela compreensão científica do universo. Nós não podemos também deixar de considerar como era traiçoeira a própria ideia de democracia, quão perigoso a aristocracia sentiu isso; mais tarde, a democracia tornou-se a filosofia que prevalece no mundo político.


Podemos lembrar também que o conceito de igualdade entre homens e mulheres, diferentes etnias ou religiões diversas, foi ridicularizado quando foi revelado. Além disso, se não tivesse pensado de forma diferente dos outros, Madre Teresa não podia ter sido mãe e dona-de-casa em vez de viajar para a Índia e arriscar sua vida pela humanidade?

Mantendo a história dessas ideias e pessoas excepcionais em mente, eu quase posso garantir que se alguém tivesse matado todos os “esquisitos” entre os nossos antepassados australopitecos, 3500 anos atrás, nossa espécie não poderia ter chegado ao século 21. Poderíamos muito bem ter permanecido apenas uma espécie muito mais primitiva, sem o uso do fogo e da roda, quanto mais uma orquestra, a democracia, ou computadores. Não é, afinal, a diversidade que permite a evolução?

Em outras palavras, “estranheza” às vezes é o resultado inevitável de uma excepcional capacidade imaginativa, que não vê limites em busca de todas as possibilidades criativas. Enquanto essas pessoas não nos fazem mal, devemos deixá-las existir. É nosso dever ser respeitoso com aqueles que são diferentes não só porque cada ser humano tem direito à liberdade, mas também porque a diversidade está na base da sobrevivência humana.

Para aqueles que consideram a voz suave de Jackson, o tom de pele alterado ou a aparência facial como estranho, eu diria simplesmente isso: Você está revelando a sua própria natureza, na melhor das hipóteses: mente pequena ou obtusa; na pior das hipóteses: cruel e intolerante. A Sagrada Escritura não considera ninguém aceitável para criticar a aparência física das pessoas que contribuíram generosamente para os sem voz.

Para aqueles que pensam que a voz falada de Jackson foi peculiar, eu diria que não vejo importância nisso.A voz falada não pode ser desacoplada da voz cantada que tantos elogiaram. Também pode ser útil para que você considere essa informação, a fim de ampliar sua compreensão do contexto global: há países onde as pessoas respeitam aqueles que falam baixinho, de uma forma calma e não agressiva. O padrão americano, onde a voz parece ser necessária à assertividade, não é o único padrão no mundo.

Para aqueles que criticam o “Rei do Pop” pela compra de Neverland, eu coloco esta pergunta: Você teria sobrevivido sem a compra de uma propriedade residencial do tamanho de Neverland se na realidade você nunca fosse capaz de explorar nenhum lugar sozinho, sem ser abordado pela mídia e pelo frenesi do público sempre que você saísse na porta da frente? Uma residência enorme com um vasto jardim pode ter sido a única forma possível para esse mega star do mundo relaxar e desfrutar um pouco de ar fresco, sem intromissão constante do público. Afinal, Jackson ganhou seu dinheiro através de um incrível trabalho árduo e um trabalho ético perfeccionista. À luz do seu Guinness, dando suporte sozinho a pelo menos 39 instituições de caridade, pode muito bem ser hipócrita criticar os seus hábitos de gastos.

Tendo demonstrado que não há nada de intrinsecamente errado com a vida não convencional, a questão agora passa a, se ou não Jackson prejudicou alguém com seus comportamentos. Aqui vou discutir a criança cujas acusações foram levantadas contra ele.


Manuscrito da canção (não lançada) ‘Innocent Man’.
de Michael Jackson 

Ao discutir as duas instâncias de alegações a que Jackson foi confrontado, eu gostaria de centrar a minha atenção principalmente no caso de 1993, devido ao fato de que o mais recente (2003-2005) terminou com Jackson recebendo uma absolvição completa em todos os aspectos legais, pela credibilidade extremamente baixa da mãe do acusador atribuindo um fator significativo nessa exoneração. Em outras palavras, Jackson foi considerado não-culpado por isso eu acredito que nós não devemos desconsiderar esse caso.

Considerando que as leis da maioria dos estados dos EUA estabeleceram o que é direito para processar alguém sem ser contra-processado apenas na retribuição de uma ação, isso significa que seguramente pode-se processar qualquer um que se queira processar. Assim, a extorsão de pessoas populares e ricas é um truque cada vez mais atraente para aqueles que procuram um dinheirinho rápido. Dinheiro rápido e fácil que a qualquer momento pode ter um preço pessoal, que é a desconfiança da própria comunidade. Mas, com cidades cada vez maiores e mais impessoais, a importância da reputação local de um indivíduo está diminuindo gradualmente, resultando em mais espaço para o furto. Para algumas mentes doentias, o risco de exposição como um chantagista pode, portanto, parecer menor quando comparado com os benefícios potencialmente enormes de um embuste financeiro. Como resultado, um milionário, especialmente um profissional cujo valor é bastante ampliado pela popularidade, é mais vulnerável do que nunca. Segundo o Centro Nacional de Abuso e Negligência de Crianças, em 1998, 71% das denúncias de abuso se revelaram falsas ou infundadas. Mesmo a taxa de falsa acusação se eleva a mais de 90% quando uma batalha de custódia e dinheiro é envolvido (como foi o caso entre os pais do autor, nas alegações de 1993 contra Jackson, que era amigo da mãe da criança). No caso de 1993, as acusações nunca foram a julgamento mas foram resolvidas fora do tribunal.

O registro mostra que as dificuldades financeiras do pai do acusador haviam anteriormente aproximado os representantes de Jackson a um pedido monetário bem antes dele denunciar o abuso alegado, demonstrando que ele se absteria de entrar com uma ação em troca de dinheiro. Será que algum pai com real cuidado com o bem-estar de seus filhos fariam tal proposta?

Como prova da minha posição, eu apresento a conversa telefônica gravada em que ouve-se o pai do acusador dizer que tudo [está] indo “segundo um plano determinado”, que ele iria ganhar um “grande momento” e que Jackson estaria arruinado para sempre. Essas palavras soam muito mais como um mercenário do que as de um pai preocupado com a justiça para seu filho.

Geraldine Hughes, que havia trabalhado no escritório da equipe de acusação no caso 93 contra Jackson, revela o que realmente aconteceu nos bastidores, com todos os detalhes que os meios de comunicação falharam em reconhecer e relatar, sobre como o pai do menino desde muito cedo foi para Jackson exigindo 20 milhões de dólares para um acordo de um filme, senão ele poderia fazer reivindicações de molestamento. Quando Jackson recusou-se, o pai do menino não foi para a polícia, mas a um advogado civil e não muito tempo após as reivindicações que vazou para a mídia. Foi somente após a cobertura da história que realmente explodiu que Jackson foi fortemente aconselhado por seus advogados para resolver o processo civil e um acordo foi pago pela companhia de seguros do cantor .

Preocupações que consignado neste conselho para resolver foi a violação de Quinta Emenda de Jackson, o direito de não testemunhar contra si próprio em matéria penal, o dano implacável unilateral da cobertura da mídia sobre as acusações estava fazendo a sua reputação e carreira; sua saúde rapidamente foi em declínio a partir de estresse durante este período e viés júri potencial. O que também a de se notar, é que as estatísticas indicam que cerca de 95% das ações civis ficam resolvidas fora do tribunal e pertinentemente, a liquidação civil não pode ser interpretado como uma admissão de culpa.

Após a liquidação do processo civil, Jackson estava preparado para lutar no tribunal criminal. Em qualquer situação, um processo criminal não pode ser resolvido fora do tribunal. Após o acordo ser pago, no entanto, nenhuma acusação criminal foi apresentada pelo pai do menino, e o menino de 13 anos no centro das alegações se recusou a depor em um caso criminal.

Deve também ser enfatizado que Jackson nunca foi indiciado pelas acusações de 1993, mesmo depois de uma intensa investigação de 13 meses, incluindo entrevistas com mais de 400 testemunhas dentro e fora do país, extensas pesquisas de seus imóveis residenciais, e até mesmo um exame de 25 minutos de todo o corpo no qual Jackson teve todas as partes do seu corpo fotografadas, filmadas e examinadas.

E nos seis anos antes do prazo prescricional ter expirado, nenhuma acusação criminal foi sequer arquivada. Após a Promotoria gastar milhões de dólares dos contribuintes em perseguição do cantor, tivessem eles encontrado qualquer evidência de abuso sexual, eles estariam certos de indiciar Jackson. Liquidação civil não impede indiciamento criminal. O garoto de 13 anos no centro das acusações recusou-se a depor criminalmente e seu pai, o indivíduo principal por trás das acusações, cometeu suicídio em alguns meses da morte de Jackson.

Tendo discutido a descaracterização do que as pessoas podem julgar como “estranho”, e ter deixado claro a falsidade das acusações feitas contra Jackson, acusações de que na minha opinião parecem suspeitamente extorsivas, eu gostaria agora de considerar o impacto moral que Jackson pode ter tido em nossa sociedade.

Com relação à integridade, atos de Jackson e estilo de vida, fora as histórias fabricadas pela mídia, permaneceram consistentemente adequadas. Na verdade, sua decência fazia ele parecer quase antiquado, mesmo quando ele era jovem, quando comparado com as indulgências de muitos artistas em sexo, álcool e drogas. Entrevistas com Jackson indicavam que ele se sentia extremamente inadequado com o fato de observarem publicamente sua vida sexual. Isso, tanto quanto eu estou preocupado, é um exemplo de dignidade e pudor. No entanto, essa reserva pode muito ironicamente ter alimentado especulações infundadas acerca da orientação sexual de Jackson. Eu gostaria de perguntar: questionar publicamente a vida sexual de uma pessoa não é a forma mais inadequada da escolha daquela pessoa por silêncio além de um desejo de privacidade?

O fato de que Jackson não estava envolvido em uma infinidade de escândalos sexuais com mulheres, fato que normalmente deveria inspirar respeito, parece injustamente ter sido justificativa para a mídia patologizar Jackson. É mais do que ridículo construir a falta de lascívia e escândalo, como escandaloso e suspeito. Muitas pessoas também comentavam que Jackson não xingava, especialmente quando era mais jovem. Só depois de sofrer inúmeras campanhas de ódio fundadas em falsidades ele inseriu uma pequena quantidade de insultos em suas canções, em resposta a um mundo que o traíra tão profundamente. Mesmo assim, seu uso de insultos ficou longe de ataques virulentos, mas me deparei mais como uma expressão artística de profunda angústia em canções que descreviam sua frustração com a situação. Por exemplo, canções como “Scream” ou “Junkie Tabloid”, ambas de seu álbum HIStory. Algumas partes da última canção falam assim:

Especule para destruir quem você odeia
Publique a mentira que arranjou
Assassinato e mutilação
A mídia persegue em histeria
Quem será a sua próxima vítima?
"JFK expôs a CIA"?
Sua verdade é criada em um campo minado
Você fez da história de chantagem sua glória
"É um escândalo!!"

Você disse que não era uma guerra 
Mas com sua caneta você nos tortura 
Você crucificaria o Senhor 
E você, não precisa ler isso 
E você, não engula mais essa 
Comprar é acreditar neles 
Então porque nós nos fazemos ridículos? 

Só porque você leu em uma revista 
Ou porque viu na Tv 
Não acredite 
Embora todos queiram saber sobre isso 
Só porque você leu em uma revista 
Ou porque viu na Tv 
Não acredite, não é verdade 
Eles dizem: "Ele é homossexual" 

Na capa 
O encapuzaria se pudesse 
Disparar para matar 
Tudo para o acusar 
Se morresse, iria se solidarizar 
Essas suas falsas testemunhas 
Pragas auto-intituladas justas 
Na escuridão 
Me apunhala pelas costas 
Cara a cara 
Mente e envergonha a raça 
Heroina e Marilyn 
A matéria de capa foi 
Toda a sua glória 

São calúnias 
Todas as palavras que você usou 
Você é uma parasita em preto e branco 
Que faz qualquer coisa por notícia 
Mas se você não for compra-lo 
Então eles não serão vitoriosos 
Ler é santifica-los 
Então porque nós nos fazemos ridículos? 


Jackson também enfrentou muitas acusações a respeito de sua aparência. Mas, invertendo-se, o que isso sugere sobre aqueles próprios que assim analisaram a forma como ele parecia? O que dizer sobre seus próprios preconceitos? E sobre as pessoas que afirmaram conhecer detalhes sobre cada procedimento cirúrgico que Jackson supostamente tinha, chamando-o de aberração, mesmo sem tê-lo visto na verdade.

Depois das alegações de 2003, a mídia repetidamente e zombeteiramente exibiu fotos de Michael Jackson em um estado definhado, não por preocupação com seu bem-estar, mas, simplesmente a fim de rotulá-lo como uma aberração. Pode muito bem ser argumentado que Jackson estava mesmo começando a parecer bastante magro, mas tomar a aparência física cansada de alguém como evidência direta de anormalidade interior, só revelam a nossa superficialidade própria. Talvez, apenas talvez, ninguém mais teria parecido igualmente fatigado e sofrido a angústia de ter que lutar incansavelmente contra acusações cruéis e falsas.

Sobre o tema da moralidade: O que é mais admirável, dar às pessoas a esperança de visitas regulares e doar para os hospitais e orfanatos, ou contar histórias escandalosas com base em especulação ou mentira? O que é mais desprezível, exercer uma excepcional e rigorosa dedicação à perfeição artística, ou ceder à inveja e ganância para derrubar um artista? A imprensa sensacionalista, é claro, usa essa estratégia para a maioria das celebridades e figuras públicas. Alguém poderia argumentar que Michael Jackson aprendeu a usar a imprensa tão cinicamente quanto ela o usou, que ele, especialmente nos primeiros dias, acreditava que “toda publicidade é boa, mesmo má publicidade”, porque mantém seus nomes na mente das pessoas.

Alguém poderia até mesmo ir tão longe como dizer que Jackson ostentava propositadamente suas excentricidades para gerar imprensa. Ele tinha, afinal, um fino senso artístico do dramático, com o drama vendendo jornais. E Jackson sempre conseguiu manter sua fama brilhando, mesmo quando ele não estava produzindo novas músicas.

Conforme descrito em seguida, o meu problema, no entanto, não é com a manipulação de Jackson sobre a mídia. Pelo contrário, é sobre o que a manipulação da mídia sobre Jackson diz a respeito das normas sociais e éticas.

Críticos acusaram Jackson de não se opor veementemente à informação falsa. Ponderando essa acusação, eu suspeito que tendo havido abusos pela intromissão da mídia desde seus primeiros dias no centro das atenções, Jackson poderia ter vindo a sentir-se vulnerável e vitimizado.

Tendo sido ensinado por seu pai a sempre ser bom para a mídia e seus fãs, ele deve ter sentido que ele não deveria defender-se tão vigorosamente por medo de perder sua popularidade. Além disso, tivesse Jackson perdido tempo para lutar a cada boato lançado no seu caminho, ele não teria tido tempo para ser Michael Jackson, o artista como ele explicou a um amigo próximo.

Nesta matéria, os críticos têm sugerido que Jackson não se opôs veementemente a informação falsa o suficiente. Ponderando que a carga, eu suspeito que tenha sido abusado pela mídia com intromissão de seus primeiros dias no centro das atenções, Jackson poderia ter vindo a sentir-se vulnerável e vítima.

Ele relatou se sentir muito desconfortável dando entrevistas à imprensa desde que ele disse que suas palavras foram, muitas vezes, publicadas fora de contexto e até mesmo mal interpretadas. Como ele resignadamente confidenciou a um associado que a imprensa não iria destacar as coisas boas, porque para a imprensa, a notícia boa não vende.

Não importa o que ele fez, ou o que ele realizasse. Pelo contrário, o sotaque era sempre sensacionalista, mesmo o trivial, deixando-o para lidar com uma equação, onde visitar a unidade de queimados de um hospital onde ele tinha feito doações, e onde ele estava casualmente inspecionando o equipamento foi traduzido em manchetes bizarras de “Wacko Jacko” bizarramente dormindo em uma câmara de oxigênio. Realisticamente falando, se Jackson tentasse lutar contra cada rumor relatado ou impresso sobre ele, ele ficaria sem tempo ou mesmo recursos para fazer mais nada. Em vez disso, ele declarou ter de “correr a corrida da resistência” para resistir a todos os assaltos feitos contra o seu nome ao longo de sua carreira.

No final, devemos nos perguntar, o que é mais fiel e verdadeiro, de rotular alguém uma aberração, mesmo sem tê-los encontrado pessoalmente e sem possuir qualquer indício de irregularidades cometidas por essa pessoa? Ou mostrando firmeza em face da hostilidade e simplesmente expressar quem realmente se é, deixando seu trabalho falar por si?

Alguns poderiam argumentar que os ataques que Jackson sofreu da mídia e do público podem ser justificados como um preço natural a pagar pela fama e fortuna. Não, eu digo. Esse é um preço muito alto a ser cobrado a partir de um ser humano. Aqueles ataques ultrapassaram todos os limites justificáveis, e eu gostaria de notar que ele não foi pago para suportar a dor, mas por seus esforços incansáveis e dedicação ao seu ofício.

Nós primeiro exploramos a “estranheza” como diversidade necessária e benéfica, especificamente sobre o fato de que a aparência física de Jackson e o dito afastamento parecem irrelevantes para suas (dele) realizações. Nós então descobrimos que aquelas acusações de comportamento antiético por parte de Jackson eram na verdade sem fundamento. Em seguida analisamos a posição não-agressiva de Jackson durante entrevistas na TV, não como demonstração de culpa, mas como um sinal de decoro. Por fim, descobrimos que o preço da fama parece uma justificação insuficiente para os extraordinários ataques pessoais pelos quais Jackson passou.

Vamos agora considerar as implicações do comportamento da mídia e do público durante o curso da carreira de Michael Jackson. A mídia americana desonrou-se, exibindo ao mundo a opressão (bullying) do pátio escolar de uma alma talentosa e criativa, com grandes conquistas filantrópicas.

Agora, considere como essa opressão (bullying) pública de uma figura lendária pode apresentar-se a uma nova geração de jovens, como pode interferir em suas mentes e afetar sua moral… Pode este tipo de opressão (bullying) pública não desestimular os jovens de hoje de perseguir sua própria criatividade, sua diversidade interna, por medo de que eles próprios possam sofrer tais abusos?

A cobertura da vida de Michael Jackson coloca entre outras, estas questões para a América: Realizar o sonho americano exige que alguém se sujeite à intromissão interminável da mídia, à mentira sobre si mesmo por uma questão de vender jornais, e onde uma acusação não provada é suficiente para ser condenado no tribunal da opinião pública nacional? Você quer que seus filhos vivam em um mundo onde perseguir o sonho americano envolve os riscos de um pesadelo de desconfiança e abuso?

Refiro-me novamente aos jornalistas que mais tarde admitiram as suas notícias propositadamente distorcidas e tendenciosas sobre os casos de abuso sexual infantil de Michael Jackson. Se lembrarmos por um momento o enorme número de jornalistas que cercaram o tribunal do Condado de Santa Bárbara, pode-se supor que um punhado de jornalistas que limpou o seu engano constitui apenas a ponta do iceberg. Eu suspeito que havia centenas de outros que permaneceram em silêncio e que, conscientemente, torceram a verdade para vender jornais.

Suponho também que existem milhares de pessoas que, tendo recebido informações unilaterais, uma vez que acreditavam ser Jackson um criminoso bizarro, mas que, após a sua morte e da revelação de novas informações, viram-no apenas como um de nós, um ser humano oprimido e um pai atencioso, bem como um artista talentoso e um filantropo dedicado. Talvez esses agora bem informados membros do público chegaram a duvidar da veracidade da própria mídia, não apenas quando se trata de Michael Jackson, mas em geral.

Eu especulo que há uma noção generalizada de que é mais seguro não dizer nada quando se trata de Michael Jackson com medo de ser prontamente estigmatizado. No entanto, temos de abordar as implicações do tal comportamento silencioso. O que diz o nosso silêncio sobre os ataques a um dos realizadores mais visíveis do sonho americano?

Se nós jogarmos pelo seguro, estamos perdendo o futuro dos nossos filhos nas mãos dos agressores (bullies). É hora de falarmos sobre o que o jornalismo oportunista e danoso está fazendo à nossa cultura. Como uma vez escreveu, Edmund Burke “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.”


O clássico texto de Charles Thomson: Um dos episódios mais vergonhosos da história do Jornalismo


O clássico texto de Charles Thomson: 
Um dos episódios mais vergonhosos da história do Jornalismo



No artigo abaixo - um dos melhores, por sinal, já escritos sobre o vergonhoso papel da jornalismo na vida de Michael Jackson - Charles Thomson simplesmente escancarou a mídia. Foi escrito quando completou cinco anos do julgamento de Michael.



Nunca é demais ressaltar que enquanto Michael Jackson vivia sob escrutínio da mídia e público, aconteceram a Guerra do Iraque em 2003, o tsunami de dezembro de 2004, a morte do papa João Paulo II , o atentado terrorista em Londres e o furacão Katrina, todos em 2005.



Nenhum desses acontecimentos foi mais importante para as imprensas americana e britânica do que a obsessão em ver um homem inocente atrás das grades.

UM DOS EPISÓDIOS MAIS VERGONHOSOS DA HISTÓRIA DO JORNALISMO 


quarta-feira, 18 de abril de 2012

My friend Michael


'No entanto, achei que Michael estava bem até que, antes de um dos shows na Cidade do México, Elizabeth Taylor, de repente, apareceu. Michael adorava certos ícones do cinema e Elizabeth era um de seus favoritos.
Ele se identificava especialmente com astros infantis atuais e antigos, como Elizabeth tinha sido, porque ele sabia que eles compartilharam algumas das mesmas experiências com as quais ele cresceu.
Meu pai foi realmente o homem que arranjou para que Michael e Elizabeth Taylor se encontrassem pela primeira vez. Foi o que aconteceu quando uma das filhas de Elizabeth estava se casando e ela estava hospedada no Helmsley Palace, ao mesmo tempo que Michael.
Embora ele estivesse saindo naquele dia, ele chamou meu pai ao seu quarto e disse: 'Dominic, por favor, entregue este bilhete a Elizabeth Taylor. Eu realmente adoraria conhecê-la.'

Ele entregou ao meu pai um bilhete escrito à mão. Meu pai o entregou devidamente à estrela quando ela voltou para o seu quarto, após o casamento. Quando Michael voltou para o hotel, dois ou três meses mais tarde, ele ficava perguntando ao meu pai: 'Você deu a carta a Elizabeth? Tem certeza de que ela a recebeu?'
Ele não podia acreditar que ela não havia entrado em contato com ele.
Um mês depois, Elizabeth finalmente o chamou, e na próxima vez que meu pai o viu, Michael, feliz, relatou que ele e Elizabeth jantaram. O resto é história. Ela era uma mulher amorosa, e foi muito maternal com Michael. Eles jantavam juntos quando seus caminhos se cruzavam e trocaram favores entre si: ela lhe emprestou seu chalé em Gstaad, ele recebeu seu oitavo e último casamento, com Larry Fortensky em Neverland.

Ela o visitou no hotel na Cidade do México, e Michael a considerava uma aliada confiável, então quando ela apareceu, ele ficou, inicialmente, emocionado. Mas nos bastidores, antes do show, Elizabeth levou a mim e a Eddie de lado:
‘Michael tem que ir embora por um tempo' ela disse-nos. confidencialmente. 'Ele não está se sentindo bem, e vamos buscar ajuda para ele. Após o show, ele entrará no avião e nós o levaremos a um lugar seguro.'
Era isso. Michael estava indo para a reabilitação.
Michael, Eddie e eu estivemos juntos por quase dois meses quando, de repente nossa aventura Huck Finn*  (* referência a um livro de aventuras) teve um fim abrupto. Michael sabia que Eddie e eu éramos parte de algo maior. Viemos com nossos pais, nossos irmãos e irmãs.
Nós tínhamos sido todos da família para ele durante o momento mais difícil que ele tinha experimentado em sua vida. Ele encontrou pessoas que o apoiaram e amado por quem ele era, não importa o que os outros diziam sobre ele.
Muitas vezes eu me pergunto o que foi que ele viu em mim e eu acho que a resposta era simples: nos meus olhos, ele se sentiu reconhecido, visto como seu eu real. Eu gostava dele, pelas mesmas razões que ele gostava dele mesmo. Ele era simplesmente um dos meus melhores amigos.
Eddie e eu assistimos o show final da noite, mas sabíamos que tudo tinha mudado. O resto da turnê seria cancelado e isso nos fez muito triste.
Após o show, Eddie e eu fomos com Michael para o aeroporto, onde um jato particular estava esperando. Nós dissemos nossos adeuses no carro, todos nós chorando como bebês. Michael embarcou no avião, que logo partiu para Londres, onde ele estava para entrar em reabilitação.
Ninguém além de nós sabia que Michael havia ido embora. Quando chegamos ao hotel, um guarda de segurança com uma toalha escura sobre a cabeça acenou para os fãs e entrou no hotel com a gente, fingindo ser Michael.
Naquela noite, Eddie e eu subimos na cama de Michael e ficamos acordados, conversando noite adentro. O quarto parecia estranho e vazio sem ele. Meus pais já estavam a caminho para nos encontrar, pois eles estavam planejando a visitar-nos novamente na Cidade do México.Quando eles chegaram, Bill Bray explicou a súbita mudança de planos.
Michael havia cancelado o restante da turnê e entrara em reabilitação. Os meus pais viram que Michael não estava bem, que ele precisava de uma pausa nas apresentações sem escalas. Eles não pensaram que ele estava entrando em reabilitação porque ele estava viciado em drogas, ou que tinham deixado os seus filhos aos cuidados de alguém que estava usando drogas, um pensamento que assustaria qualquer pai.
A relação de Michael com as drogas, que um dia se tornaria muito mais complicada e evidente, não estava em seu radar. De qualquer forma, eles estavam certos em confiar em Michael, ele nunca teria deixado que nada interferisse com o cuidado de seus filhos.

Nos últimos anos, Michael explicou-me que o cancelamento da turnê não teve nada a ver com o vício em remédios. Foi por causa que a data de sua próxima apresentação na turnê seria em Porto Rico, em solo americano, e se ele tivesse entrado nos Estados Unidos neste momento, havia uma chance muito real de que ele tivesse sido preso sobre as acusações de abuso sexual infantil.
Para evitar sua prisão, sua equipe veio com uma maneira de tirá-lo do resto da turnê. A única maneira de garantir que a parte da turnê que foi cancelada seria coberta pelo seguro seria se Michael optasse pela causa de um problema médico.
Então ele disse ao mundo que ele tinha um problema com remédios. Foi humilhante, outro sério golpe à sua reputação, mas ele não tinha outra opção viável.
Deixar a turnê em circunstâncias tão humilhantes deve ter sido devastador para Michael. Quanto a mim, no meu mundo próprio muito menor, depois de voar pelas cidades exóticas ao redor do mundo e fazer parte da turnê de um dos artistas mais famosos do negócio, tendo que retornar à oitava série, em Nova Jersey, seria um duro despertar.'
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